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AMAAIAC forma 47 novos Artistas da Floresta na Terra Indígena Praia do Carapanã

          Outrora jazida nos roçados e igapós da região, troncos de madeira tombados pela força da natureza ganham novas formas e aspectos nas mãos dos jovens artesãos da Terra Indígena Kaxinawá da Praia do Carapanã, localizada no município de Tarauacá, estado do Acre.

         As atividades de Artes e Ofício, parte fundamental do projeto intitulado “Reutilização de madeira para a confecção de móveis, esculturas e outros objetos de uso”, ocorreram, nesta etapa, na Aldeia Água Viva, a maior dessa terra indígena.

         O projeto, fruto de uma conjugação de esforços entre a AMAAIAC, a Associação dos Produtores e criadores Kaxinawá da Praia do Carapanã (ASKPA), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Governo do estado do Acre, formou, entre os dias 5 e 17 de março de 2018, 47 novos artistas da floresta. Estes, durante as oficinas, participaram de debates sobre formas de reaproveitamento dos bens florestais até então desperdiçados nas adjacências da Terra Indígena, assim como também incorporaram novas técnicas para o entalhe de formas variadas na madeira.

Segundo a antiga liderança Jorge Lemos Ferreira Kaxinawá, Ibã Huni Kuin, 87 anos, os moradores da Terra Indígena Praia do Carapanã sempre mostraram grande interesse em desenvolver trabalhos voltados para a confecção de peças artísticas. Neste sentido, a realização de um projeto cujo foco consiste na formação de jovens parar trabalhar e reutilizar madeiras representa a materialização de um sonho coletivo de seguir garantindo o fortalecimento cultural do seu povo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Produção de bancos. (Foto: Arlan Hudson)

 

“Eu estou muito feliz com esse trabalho. Esse era o nosso sonho. A gente tinha um sonho de trabalhar com a madeira e de formar esses jovens. Agora a gente tá aqui, trabalhando os mitos na madeira, como a história do quatipuru, e aproveitando as coisas que a gente tem na floresta. […] esse é o tipo de história boa, de trabalho bom que se espalha, sobe o rio e todo mundo quer conhecer. […] por isso, Txai, esse trabalho não vai ficar por aqui, porque a gente vai continuar trabalhando e formando outros jovens das outras aldeias.”

(Jorge Lemos Ferreira Kaxinawá (Ibã Huni Kuin), Aldeia Água Viva, 14/03/2018).

Foto: Arlan Hudson

 

 

 

       Para o AAFI e Secretário da AMAAIAC, Amiraldo Sereno Kaxinawá, esta ação representa o interesse da Associação dos Agentes Agroflorestais Indígenas de aliar a realização práticas sustentáveis ao fortalecimento econômico e cultural dos povos indígenas, evitando, assim, seu êxodo para os centros urbanos.

Eu acho muito importante esse trabalho de Artes e Ofício. Interessante porque vai trazer benefícios para aquela pessoa e aquela pessoa não vai atrás de emprego, não vai para a cidade, não vai pra canto algum, não vai trabalhar pra ninguém. Ela vai trabalhar pra ela mesmo. para que faça esse tipo de trabalho e para que faça a comercialização. Assim ele vai ter muita vantagem. Assim ele vai suprir as necessidades que estão passando. […] então com isso eu acho muito importante que esses jovens que não tem emprego vão nesse caminho, fazendo esse tipo de trabalho, mantendo a sua família aqui na comunidade, para o pai ou o vô não ficar preocupado sobre isso. (Amiraldo Sereno Kaxinawã, Aldeia Segredo Artesão, 14/03/2018).

 

      Segundo o AAFI Francisco Edimilson Ferreira, uma das principais lideranças dessa Terra Indígena, o projeto retira os indígenas de caminhos que levam à vulnerabilidade social e abre novas perspectivas econômicas para os jovens, uma vez que dotados de novos conhecimentos técnicos, estes não precisarão seguir para as cidades em busca de emprego.

Para mim é a realização de um sonho esse projeto que a gente está recebendo. Estamos aprendendo sobre como trabalhar com os nossos recursos naturais, aproveitando e agregando valor aos recursos que nós temos em abundancia, mas que a gente não sabia como fazer. Hoje nós temos todo esse material recebido pelo projeto, contando com o apoio do governo do Estado e com a realização da AMAAIAC. Então pra mim é um grande sonho, é uma grande vantagem sobre a nossa cultura, nossa história. Estamos ensinando nossos alunos, estamos falando da nossa identidade, falando de Hãtxa Kuin. Muitos jovens estão se perdendo e nós estamos trazendo eles de volta com esse trabalho de arte (Francisco Edmilson Ferreira, Aldeia Água Viva, 14/03/2018).

 

        As peças produzidas por esses jovens artesão serão expostas e vendidas na cidade de Rio Branco ainda no primeiro semestre de 2018. Para maiores informações desse projeto, acesse a seção “fale conosco”, disponível na aba “Institucional”.

Texto e fotografias: Arlan Hudson