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AMAAIAC REALIZA CAPACITAÇÃO DE JOVENS NA TERRA INDÍGENA ARARA DO IGARAPÉ HUMAITÁ

          Com vistas a dotar jovens indígenas de conhecimentos e técnicas de entralhe em madeiras para o reaproveitamento dessa matéria-prima, a AMAAIAC realizou entre os dias 15 e 27 de maio de 2018 duas oficinas de Artes e Ofício na Aldeia Foz do Nilo, localizada na Terra Indígena Arara do Igarapé Humaitá. As aulas contaram com carga-horária de 88hrs e alcançaram um público de 25 jovens alunos das aldeias circunvizinhas.

            Para o Cacique Francisco Dantas Varela, o Doca, o presente projeto é uma oportunidade de dotar as aldeias de técnicas capazes de subverter a relação comercial que estabelecem com os ribeirinhos das adjacências e lança olhares para gestão sustentável dos recursos naturais daquela Terra Indígena.

Pra mim esse projeto é uma vitória, é a realização de um sonho. Você pode ter certeza que a gente vai dar continuidade a esse trabalho. O projeto acaba daqui a pouco, mas com a gente o trabalho vai seguir forte com esses jovens. A gente vê isso aqui como uma oportunidade de renda, de fazer girar um capital aqui nessa aldeia, aqui na Terra Indígena. Com a venda dessas peças, o artesão vai poder comprar o sabão, o café, o açúcar, a comida do dia seguinte. A gente também vai deixar de depender do Cariú [não indígena] pra ter nossos móveis. Nós mesmos vamos fazer as coisas. […] Com esse projeto a gente ta aprendendo a fazer um uso diferenciado das nossas madeiras que tavam caídas na floresta (Francisco Dantas Varela, Aldeia Foz do Nilo, 24/05/2018).

Vista parcial dos alunos concentrados na Casa Estúdio (Foto: Arlan Hudson)

           Pensando na sustentabilidade do projeto e na multiplicação de saberes, o aluno artesão Iurá Yuxin Shawãdawa, apontou a necessidade de realizar uma assembléia geral entre todos os participantes a fim de definir estratégias para não somente dar continuidade a produção das peças, mas também difundir os conhecimentos abordados nas aulas e aprimorar os mecanismos de comercialização dos bens produzidos.

Eu como aluno to aqui pra receber o material, mas eu chegando na minha comunidade eu vou dar continuidade ao trabalho. Quando terminar esse projeto a gente vai dar continuidade, porque ele possibilita a gente ter uma renda pra viver melhor. Da minha aldeia, participamos eu, meu irmão e o meu primo. Quando a gente chegar na minha aldeia a gente vai ver quais pessoas vão se interessar por essa arte, aí a gente vai ver um dia da semana pra ir fazendo pequenas oficinas pra repassar o conhecimento. A gente também vai convidar pessoas de outras comunidades. A gente tem a CASP [Cooperativa Agroextrativista Shawãdawa Pushuã] e penso que a gente pode trazer esse debate pra dentro da cooperativa. Nossa cooperativa foi criada pra isso mesmo, pra ajudar a vender e divulgar nosso artesanato. (José de Jesus Coelho, Iurá Yuxin Shawãdawa, Aldeia Raimundo Vale, 24/05/2018).

Jovem Shawãdawa assistindo as aulas de produção de móveis com adorno de cipós (Foto: Arlan Hudson)

   As peças produzidas por esses jovens artesão serão expostas e vendidas na cidade de Rio Branco a partir do mês de agosto de 2018. Para maiores informações desse projeto, acesse a seção “fale conosco”, disponível na aba “Institucional”.

O Plano de Gestão

“Artes e ofício – reutilização de madeira para a confecção de móveis, esculturas e outros objetos de uso” é fruto do Convênio Nº 001/2017/PDSA II, celebrado entre a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre (SEMA) e que conta com aporte financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Fotos e texto: Arlan Hudson