AMAAIAC promove formação e fortalecimento econômico-cultural na Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão

[Modula id=’1′] Foto: Arlan Hudson

Texto: Arlan Hudson

Entre os dias 13 e 25 de novembro de 2017 foram realizadas as primeiras oficinas de artes e ofício na Aldeia Boa Esperança, Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão, localizada no município de Jordão, estado do Acre.

As ações desenvolvidas compõem o quadro de atividades previstas no projeto “Reutilização de madeira para a confecção de móveis, esculturas e outros objetos de uso”, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre (SEMA) e aporte financeiro do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), cujo ponto focal consiste em manter e revitalizar aspectos culturais das populações indígenas, bem como favorecer o surgimento de novas alternativas econômicas a 146 jovens residentes em 05 Terras Indígenas do estado do Acre através do ensino de técnicas de produção moveleira, peças artísticas e utensílios étnicos a partir da reutilização de madeiras jazidas em espaços como os roçados, a floresta e o leito dos rios.

O primeiro ciclo de oficinas contou com a presença de 38 jovens alunos artesãos de diversas aldeias da TI Kaxinawá do Rio Jordão, os quais foram orientados pela assessoria técnica da AMAAIAC e acompanhados por 20 Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) formados daquela região.

Segundo o AAFI Aldenir Paulino Pinheiro Kaxinawá, morador da Aldeia Nova Aliança, o projeto representa uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos, bem como possibilita uma maior compreensão do panteão de atividades desenvolvidas pelos Agentes Agroflorestais Indígenas. Para ele, essas ações fortalecem aspectos culturais dos povos através do incentivo à produção de peças míticas e enriquecem a formação dos jovens daquelas aldeias.

Para mim é muita gratidão trazer mais conhecimento para nós, agente agroflorestal e para os mais jovens. Nós, que já estamos formados, estamos ensinando aqueles que vem querendo aprender como nosso aluno, como agente agroflorestal novato. Estamos levando conhecimento para mais outras comunidades, para eles aprenderem e conhecerem o trabalho do agente agroflorestal desenvolvido na nossa terra. […] Os nossos alunos estão trabalhando e a gente vêm ensinando eles. Pra mim é muita gratidão essa oficina de 12 dias. Estão formando os nossos alunos sobre como fazer o trabalho de arte e ofício e trazendo as histórias de antigamente. Agora eles tão transformando essa história, desenhando, fazendo arte e ofício, fazendo banco, desenho no banco. Isso é o significado da nossa história passada (Aldenir Paulino Pinheiro Kaxinawá, Aldeia Nova Aliança, TI Kaxinawá do Rio Jordão, 23/11/2017).

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Utilizando técnicas de entalhe manual, a produção das peças seguiu imprimindo motivos e traços da mitologia indígena na matéria-prima coletada, dando luz a obras que tributam encantados como Yube Nawã Aibu e Yube Nawã Bushka.

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Ao final das oficinas foram produzidos 22 bancos com altura variando entre 50 e 60 centímetros; 19 gamelas com formas, empunhaduras e entalhes variados; 02 colheres e 46 esculturas de seres mitológicos; totalizando 89 peças as quais serão expostas para comercialização na cidade de Rio Branco ainda no segundo trimestre de 2018.

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